EU TINHA MEDO DE USAR O FLASH!

E DIZIA QUE ADORAVA CLICAR COM LUZ NATURAL...

Um contéudo TERAPIA DO FLASH - Por Lauro Maeda

Toda vez que eu me via obrigado a usar um flash, ficava tenso! Chegava a suar frio. Tudo bem que, naquela época, não era possível ver a foto logo após o click, já que só existia a fotografia com filme. Então, eu só tinha a certeza do sucesso ou do fracasso após o processo de revelação. Isso era final dos anos 80!

Não existe nada mais verdadeiro do que aquele velho ditado: "A dor ensina a gemer!" E confesso: gemi muito antes de começar a dominar o flash. Tirava dúvidas com os fotógrafos mais experientes que me informavam o suficiente para não cometer erros grotescos. A galera da época não tinha muito jeito, muito menos talento para ensinar... A Internet ainda era desconhecida para 99,9% da população mundial! E o Google... Youtube... deviam orbitar somente na cabeça dos "mutcho lôkos" que um dia virariam bilionários. Então, diante da minha insignificância, me restava juntar o quebra-cabeças mais complexo da minha fotografia até então. Eu era um pobre coitado, tenha certeza disso! 

Até 1988 eu usava um flash que mais parecia uma mistura de farol de fusca com bateria de moto... Era o que existia de mais potente e portátil naquela época, apesar do risco que eu corria quando o ácido da bateria resolvia buscar o aconchego do paletó. Era a certeza muitos furos até procurar o alfaiate para encomendar outro.  

Um dia, lá pelos idos de 1988, me apresentaram um flash que prometia facilitar o meu trabalho. E ajudaria a economizar com o alfaiate! Confesso que esse último argumento foi o que me convenceu a experimentar a novidade. Um flash com automatismo e "movido" à pilha! Era muito legal para ser verdade! Só podia ter uma pegadinha ali no meio... E tinha! Hahahahaha. Entre um disparo e outro, dava pra pedir um sushi e saboreá-lo com toda a tranquilidade. E a duração das duas pilhas coincidia  com um rolo de 36 poses. "O problema não é ser pobre mas, sim, ter cabeça de pobre!", ouço isso até hoje, mas por outros motivos... 

O fato é que o flash era bom! Além de não reclamar da vida, nem fazer furos no meu paletó, eu podia configurar - na época eu dizia "regular" - o diafragma (f/stop) que queria usar e o próprio flash emitia a quantidade de luz certa (nem tanto mestre, nem tanto...) de acordo com a distância que eu estava do assunto. Explicando melhor: eram 3 configurações possíveis - M, bolinha azul e bolinha vermelha. O M não preciso dizer que é o modo Manual, precisa? Beleza. A bolinha azul era quando eu queria usar um diafragma mais fechado (f/8 e ISO100), assim eu tinha que colocar f/8 na lente e ISO 100 na câmera. Como nada na vida é simples e de graça, existia uma faixa de distância para que a exposição ficasse boa. Era algo em torno de 0,5m a 2m. Isso significava que, enquanto eu estivesse nessa faixa de distâncias, eu só precisava focar e clicar. Se eu quisesse fotografar numa distância maior, tinha que colocar na bolinha vermelha (f/4 e ISO 100) e a lente na mesma abertura f/4, assim eu tinha mais versatilidade já que a faixa da boa exposição aumentava para 0,5m a 4m. Para quem desafiava a durabilidade do anel de diafragma, que a cada mudança de distância em relação ao assunto, tinha que mudar a abertura também, era um grande avanço! "Um pequeno passo para o homem... um salto gigante para a humanidade!" Alguém disse isso... mas quem? Deixa pra lá! Ultimamente, ando no mundo da Lua...

Nos anos 90 surgiu o sistema TTL (Through The Lens - através da lente) de exposição do flash! É a tecnologia que usamos hoje em dia, apesar de alguns fazerem cara feia e brigarem com as variações de super e subexposição de acordo com o assunto fotografado. Na minha humilde opinião, um sistema que te dá agilidade e rapidez nos eventos sociais, principalmente, para os fotógrafos que clicam momentos e espontaneidade.

A minha paixão pela luz, seja ela disponível ou com flash, me levou ao palco do maior Congresso de Fotografia de Casamento da América Latina, o Wedding Brasil, na primeira edição do evento, em 2009. Foi maravilhoso! Muita gente naquela época, nem imaginava que era possível usar luz contínua durante a cerimônia e obter uma bela iluminação. Nem mesmo usar grandes aberturas e ISOs mais altos para viabilizar um trabalho cheio de personalidade e que valorizava o clima da luz dos ambientes. Temperatura de Cor então, parecia grego para a maioria da galera. Estive no palco do Wedding Brasil por mais duas oportunidades (2010 e 2016), e sempre com assuntos em torno da iluminação fotográfica.

Depois de tantos anos acompanhando essa evolução e experimentando várias aplicações do flash, me sinto quase que na obrigação de dividir meus conhecimentos com outros colegas de profissão. Todas as dificuldades que passei lá no início da minha carreira não precisam ser enfrentadas pelos fotógrafos hoje. Afinal, se eu conheço as pedras que estão pelo caminho que outros irão passar, posso evitar alguns tropeços e escorregões, dando uma orientação clara e direta para que todos alcancem seus objetivos com mais eficiência e rapidez. 

Pensando nisso, criei a Terapia do Flash! 

Flash eletrônico portátil Fotomatic 321A - O meu primeiro flash com automatismo por luz refletida. A bolinha vermelha era para f/4 e a azul para f/8. Ambos com ISO100. Não carece de explicação para o M nesse momento!

Aéreo lindo do Bob Burnquist durante a inauguração do half-pipe do Clube Doze, em Floripa, 1989. Foto feita com uma Pentax Spotmatic com lente fisheye 17mm e flash Fotomatic 321A.

Hoje, temos o conhecido sistema TTL - Through The Lens - que mede de forma precisa - às vezes nem tanto - a exposição da cena através da câmera. Com o flash em TTL, você não precisa se preocupar, nem mesmo em informar com qual f/stop e ISO está usando, já que ele recebe todas essas informações diretamente da câmera. É uma maravilha da tecnologia, concorda?

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